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24 ottobre 2010

Can­ção do Exílio

Minha terra tem pal­mei­ras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gor­jeiam,
Não gor­jeiam como lá.

Nosso céu tem mais estre­las,
Nos­sas vár­zeas têm mais flo­res,
Nos­sos bos­ques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cis­mar, sozi­nho, à noite,
Mais pra­zer eu encon­tro lá;
Minha terra tem pal­mei­ras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem pri­mo­res,
Que tais não encon­tro eu cá;
Em cis­mar –sozi­nho, à noite–
Mais pra­zer eu encon­tro lá;
Minha terra tem pal­mei­ras,
Onde canta o Sabiá.

Não per­mita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que dis­frute os pri­mo­res
Que não encon­tro por cá;
Sem qu’inda aviste as pal­mei­ras,
Onde canta o Sabiá.

— Gon­çal­ves Dias (escrita em 1843)

23 maggio 2010

As árvores da pracinha Rodésia





Começa agora a floresta cifrada.
A sombra escondeu as árvores .
Sapos beiçudos espiam no escuro.

Aqui um pedaço de mato esta de castigo.
Arvorezinhas acocoram-se no charco.
Um fio de agua atrasada lambe a lama.

Raul Bopp - fragmento de "Cobra Norato"