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8 ottobre 2010

Árvores na Idade Média: teixo, a planta do mal



Se para o homem da Idade Média a tília só tinha qualidades, o teixo apresenta demasiados defeitos. Ele não apenas cresce triste e solitário, mas está sempre verde, imutável, como se tivesse feito um pacto com o diabo para se tornar imortal.

Lendas e tradições o associam, como conta o historiador Michel Pastoreau, ao “outro mundo” e à morte, como revela seu nome em alemão (todesbaum) e em italiano (albero della morte). Essa árvore é encontrada nos cemitérios e é ligada a relatos de luto e suicídio. Em certas versões da história de Judas, depois de trair Jesus ele se enforca em um galho de teixo; em outras, em um galho de figueira.

Essa espécie provocava medo porque tudo nela é tóxico: folhas, frutos, caule e raízes. O suco de teixo era usado para fabricar venenos. No livro de William Shakespeare, o pai de Hamlet morre depois de ingerir uma substância feita com essa planta.

Foto: Isfugl

7 ottobre 2010

Árvores na Idade Média: a tília

As árvores eram parte importante da vida e do imaginário das pessoas durante o período medieval. Em todas as sociedade rurais, de acordo com o historiador Michel Pastoureau, existiam árvores boas e árvores más, árvores que se deve plantar e que se deve cortar. Uma árvore particularmente admirada na Idade Média foi a tília, da família Tiliaceae, com origens no hemisfério norte.



Os autores, tanto medievais quanto da Antiguidade, teceram somente elogios a ela. Na Alemanha, onde já na Idade Média se apreciava registrar recordes, muitos documentos falam de tílias com grande circunferência de tronco. Em 1229, um autor medieval de Neustadt, na região de Württemberg, citava um tronco de tília com circunferência de 12 metros (medida atual). Mas mais que seu porte e sua longevidade, os medievais admiravam seu perfume, sua música (o barulho das abelhas) e a riqueza dos produtos dela provenientes.

A tília era a grande estrela da farmacopéia, que utilizava sua linfa, suas cascas e suas flolhas, mas, acima de tudo, suas flores: com poderes sedativos e narcóticos. Ao mel de tília eram atribuídas inúmeras virtudes terapêuticas e aromáticas.

Essa espécie até hoje é encontrada nas vizinhas de hospitais, prática iniciada no século XIII. Depois disso, começam a aparecer perto de igrejas, representando um símbolo de proteção e autoridade. E, por sua autoridade, passaram enfim a ser plantadas junto às sedes de Justiça.

Pastoureau explica que ainda existem muitas dúvidas sobre a relação do homem medieval com as árvores. Se pergunta se fosse atribuído mais “poder” às estátuas de santos construídas em tília. Ou se os instrumentos músicais eram fabricados em madeira de tília porque era fácil de manejar ou porque era a árvore preferida das abelhas, que tocavam suas músicas. Mesmo com muitas questões sem resposta, os dados que hoje temos mostram o quão especial e próxima fosse a relação entre homem e árvores há alguns séculos.



Fotos: anemoneprojectors (primeira) e pizzodisevo (segunda)